Alimentos Transgênicos
Pergunta:
Essa modificação genética nos alimentos poderia causar um problema como a esterilização da espécie humana?
Os amigos espirituais dizem que, dentro dos atuais padrões, não há perigo disso acontecer, nos próximos milênios.
Sempre caberá ao desafio humano saber lidar com aquilo que lhe é conveniente ou não. A questão dos alimentos transgênicos é um desses desafios.
Nós não podemos obstaculizar o progresso, pelo fato da família humana terráquea não conseguir progredir moralmente, na mesma velocidade que o faz no campo tecnológico.
Se pelo fato do homem não saber usar o avião, apenas para fazer o bem, utilizando-o para jogar bombas e destruir vidas; se pelo fato da mesma seringa que pode salvar vidas, saltando nas veias o medicamento necessário à sobrevivência, também poderá conduzir ao suicídio – consciente ou não – através das drogas; o avião ou a seringa não devem ser descartados.
O problema da felicidade ou da infelicidade da vida humana não reside naquilo que o homem produz, naquilo que é exterior a ele, e sim, na maturidade espiritual, na sua estatura moral na utilização desses processos.
Em suas conversas na espiritualidade sobre esse assunto os espíritos normalmente colocam algo bem diverso das nossas preocupações. Isso não quer dizer que nós não devamos nos preocupar com essas questões, porque isso realmente é um fato preocupante. Pessoalmente sou dos que pensam que, é muito cedo para que tenhamos conclusões positivas ou negativas, a respeito da utilização desse processo. Não podemos ser vítimas de uma análise menor e apressada.
De um lado encontram-se multinacionais, em especial uma delas que já manipulou a genética necessária e também os “jeitinhos” necessários, para que a patente fique absolutamente controlada por ela. Essa multinacional defende certo ou erradamente que, esses alimentos transgênicos não representam nenhum problema, pois que, há doze anos esse alimento foi pesquisado, nas principais universidades do mundo e jamais se encontrou nenhuma prova evidente de que ele seja danoso à saúde.
No outro lado também se encontram multinacionais que produzem inseticidas e herbicidas de todo tipo, e na lavoura dos transgênicos certas pesticidas não mais seriam necessárias. Então, essas outras multinacionais gastam milhões de dólares em propagandas, para sensibilizar a opinião pública, dizendo que tais alimentos são danosos, que mesmo não se concluindo qual tipo de dano ele possa causar diretamente ao ser humano, mas que, quando no contato dos substratos interiores da crosta terrena essas sementes e alimentos transgênicos possam vir a criar bactérias e elementos outros que venham a danificar, definitivamente, aquele terreno. E daí saem diversas notícias.
Mais uma vez o que está em discussão não é o benefício da humanidade, e sim, o ganho capitalista das multinacionais, de um lado e de outro. É isso que está em jogo.
Nós, seres humanos, não podemos nos apressar, no sentido de tomar partido daquilo que ainda não se conhece.
É sempre algo estúpido dar por sabido aquilo que a gente ainda precisa descobrir. A humanidade – não através da crença ou da fé, mas da ciência – ainda precisa descobrir o que lhes é conveniente ou não. No caso específico dos transgênicos, está longe de descobrir.
O que se pode discutir de ética num mundo em que, cerca de dois bilhões de almas estão encarnadas em corpos que passam fome?
Será que é ético discutir se tal ou qual questão poderá causar esse ou aquele problema, se o maior problema da humanidade é a miséria material e moral dos seres que aqui habitam e que não há a preocupação em investir no ser humano, para acabar a fome e a miséria da tantos?
Será que esta questão dos transgênicos não poderia ser um dos caminhos que iria facilitar e baratear, e em muito, a alimentação em outros campos da manipulação genética, para esses que passam fome?
Nós não sabemos, ninguém o sabe. Só pelo fato de não saber não seria prudente estabelecer limites às possibilidades, mas sim, manter o espírito aberto à pesquisa, ao questionamento e a verificação de tudo aquilo que é importante. Mas, de súbito, tomar partido por esta ou aquela idéia porque nas televisões, ou nisto, ou naquilo aparece uma propaganda melhor, no sentido tal, ou por defesa mais arquitetada – em termos de argumentos lógicos -, no sentido qual… Esse é o problema da raça humana. Ela é ignorante, no sentido de que não conhece e não procura conhecer, o que de fato importa à vida, mas toma partido, com opiniões menores e imaturas, sobre assuntos dos quais não obra saber absolutamente nada.
Sobre os transgênicos nada é sabido. Nós não podemos deter o progresso tecnológico da humanidade, em alguns aspectos da vida – por mais que isso venha a doer -, pelo fato de que o homem ainda não investiu nele mesmo e não atingiu um progresso moral para lhe dar sustentação e ele possa mais e mais progredir tecnologicamente.
Precisamos investir no progresso moral e espiritual do ser humano, além do o progresso tecnológico. Como isso não gera lucro, ninguém o faz. As religiões – que a isso pretendem -, também não conseguem. Assim, o ser humano fica cego sendo guiado por outros cegos, em assuntos nos quais todo mundo é cego.
Não reside no progresso tecnológico – medido pela justa preocupação com a vida – nenhum perigo para a terra. Esse perigo reside no íntimo da espécie biológica humana – que domina a vida aqui na terra – e essa espécie não se cuida.
Na terra (para a análise que queremos fazer) existem dois tipos de seres: Os que fazem a fotossíntese e os que não fazem.
O homem precisa essencialmente da atmosfera. É interessante perceber que, se as plantas do mundo, através do processo de fotossíntese, não transformassem o dióxido de carbono em oxigênio, a raça humana não existiria, nesses corpos que aqui estão. Isso sim é matéria que toda a humanidade deveria conhecer e criar a consciência de que, é necessário preservar os seres que fazem a fotossíntese, pois eles permitem a vida dos demais, por serem os únicos que possuem a capacidade de transformar dioxo de carbono em oxigênio.
Esses assuntos importam bem mais, pois é nisso que reside o futuro da terra. É sobre o cuidado que possamos ter com essas questões que, talvez, no futuro, jamais tenhamos problemas, no âmbito da pergunta, como também problemas ambientais.
Porém, se não cuidarmos das questões essenciais, não será nas questões acessórias que teremos maturidade moral e conhecimento intelectual, para bem cuidar dos assuntos que interessam a esta humanidade.
Não há, na questão posta na pergunta, nenhum perigo para a humanidade em si, pois que, tudo que se cria, primeiro é formulado no campo das idéias do ser humano. É nisso onde deve residir o nosso cuidado e o nosso apreço pela vida.
O que deve ser percebido por todos é que nada, ou muito pouco do que se faz neste mundo é feito em função do ser humano, e sim, em função do ganho financeiro. Isso precisa ser corrigido, senão, qualquer coisa, qualquer produto, qualquer tecnologia que o progresso venha a criar, poderá ser bem ou mal utilizada, dependendo de quem o faça. E, como nós privilegiamos valores horizontais da vida e esquecemos os valores verticais, costumamos a contar os cadáveres e não as benesses da vida.
Mas, a vida em si, é generosa.
É muito cedo para que tenhamos conclusões, positivas ou negativas, a respeito da utilização desse processo. Não podemos ser vítimas de uma análise menor e apressada.
Jan Val Ellam
Transcrição- Luiz Carlos
