Livro: Anjos Decaídos por Jeane Miranda de Sousa
15 de agosto de 2010 – 17:03 | 5 Comentários

Existem verdades que ainda não encontraram seu tempo para serem devidamente percebidas, delas restando somente vislumbres, para os que vivem na Terra. Necessário se faz sempre que alguém entre os “humanos da Terra” se aventure …

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O Sorriso do Mestre

Enviado por Orbum em 27 de setembro de 2009 – 19:09Comente

sorriso_novoRelatos de fatos desconhecidos da vida de Jesus, sua viagens quando jovem, como ocorreu a escolha dos apóstolos, são o fio condutor desta obra singela e envolvente. Coroada pelos depoimentos de seu tio terreno, Cleofas e seu pai, José.

Jesus sorria! A própria vida dEle foi um sorisso.

Brincava com aqueles que O acompanhavam mais de perto. Na sua família, era sempre quem tomava a iniciativa de tornar fraterno o ambiente. Diante de problemas, era o primeiro a desanuviar o ambiente com sua perpiscácia, sabedoria e bom humor. No entanto, nas páginas do Evangelho não aparece esse sorriso. Por que?

Eram tempos de angústia de um povo que não tinha pátria e concentrava toda a sua energia na religião de seus ancestrais. Impostos pesados do poderio romano caíam-lhe sobre os ombros já combalidos de tanto esforço pela sobrevivência secular. Ainda mais, as disputas internas e o surgimento de diversas seitas no próprio segmento judaico promoviam a todo tempo intrigas e embates que terminavam por prejudicar a todos. A desconfiança invadira a alma do povo judeu que, já espalhado e separado fisicamente enfrentava, agora, a desagregação entre os seus próprios pares.

Além de tudo isso, terminaram por levar Jesus à criminosa crucificação. Com a ressurreição do Mestre, o sentimento de culpa, a vergonha e a sensação de pequenez diante de tanto amor e sabedoria demonstrados pelo amado Rabi, marcaram inapelavelmente os tempos após a Sua morte como sendo momentos de tristeza, desespero e aflição.

A alma judaica, a partir de então, ficou com essa ferida a estigmatizar-lhe a lembrança e, mesmo entre os heróicos cristãos que seguiram a Jesus, também se fazia presente a mesma sensação de dor, pois a todo momento alguém era sacrificado por amor ao Mestre.

Estevão foi o primeiro. Depois seguiram-se-lhe todos os apóstolos e demais discípulos com o sacrifício de suas próprias vidas.

Tudo isso promovido pelo poder romano, que estava envenenado pela hipocrisia judaica desde a morte de Jesus. Poucos escaparam. Esses poucos escreveram as suas memórias sobre os fatos. Como podiam exprimir alegria se estavam tristes? Eles não tinham a devida noção do longo prazo do alcance da misssão do Mestre.

No íntimo dos cristãos havia sim, a alegria da descoberta do Cristo. Porém, na expressão de suas atitudes a tristeza era a tônica dominante.

Mas Jesus sorria. Ele foi só amor e ternura. Como pode alguém que é só amor e ternura não sorrir? Como pode um semeador de esperanças não adubar nos corações alheios a ternura de um sorriso? Como pode alguém, cercado de crianças — como comumente Ele se permitia ficar — não suavizar a expressão facial para com elas interagir se eram elas que O procuravam?

Afirma-se que Jesus jamais sorria, como se isso fosse possível. Como se Ele fosse o carrasco do sorisso.

Nos últimos meses de Sua permanência na Terra realmente o Seu semblante tornou-se grave porém jamais perdeu a ternura no olhar. Na verdade, quando percebeu que era inevitável o cálice que iria beber, passou a se isolar dos demais, sempre que podia.

Esse período marcou muito os apóstolos que somente perceberam o que estava para acontecer com Jesus no próprio dia em que foi crucificado. Antes disso, simplesmente não tinham a menor idéia de que tal fato seria possível, apesar dos receios que todos os que O seguiam carregavam no íntimo, devido ao patrulhamento dos membros do Sinédrio Judaico.

Foi inevitável que essa marca de tristeza e angústia íntimas não caracterizasse as primeiras páginas escritas sobre a vida de Jesus. Jesus sorria e muito. Não aquele riso afetado e barulhento. Mas aquele que vem do fundo d’alma, expressado com toda suavidade e ternura, durante a convivência diária.

Na Sua majestosa postura de homem simples Ele distribuiu graças e esclarecimento a todos os que tiveram o privilégio de com Ele conviver. Se nós, que somos marcadamente imperfeitos, conseguimos iluminar a alma alheia com um sorriso na nossa face, o que não provocava o Mestre quando, com o seu olhar, às vezes grave e sério, quando percebia a miséria da humanidade e, outras vezes nobre e terno, quando antevia a redenção dessa mesma humanidade, a todos embevecia com o magnetismo que dEle irradiava.

Sua oratória vibrante, cheia de expressões suaves, envolvia a todos que O cercavam. E ainda hoje, os eflúvios de Sua presença na Terra chegam aos nossos espíritos, nos envolvendo em suaves sentimentos de paz e esperança, porque Ele é brando e terno de coração.

Narrar, mesmo que de forma modesta, algumas das passagens da vida de Jesus mostrando a poesia de Seu testemunho entre nós é, portanto, objetivo desse despretencioso trabalho.

Autor: Jan Val Ellam
ISBN: 85-88584-04-2
Formato: 12X18 / 112 pgs.

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