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Desarmamento

Enviado por Fernando em 10 de outubro de 2005 – 18:03Comente

Pergunta: É melhor proibir a venda de armas de fogo e munição no Brasil, mesmo que os bandidos continuem armados e os cidadãos de bem sem nenhuma segurança pública? E o princípio universal da defesa?

Resposta: No ano de 1620, a coroa Britânica se deixou envolver num acordo com o Vaticano e o rei Carlos II passou a perseguir as famílias protestantes inglesas e irlandesas. Por isso os puritanos tiveram de fugir da contra reforma católica, embarcando no navio Mayflower rumo ao que se tornaria os Estados Unidos da América. Aqueles primeiros colonos chegaram como criminosos perseguidos pela coroa Britânica, mas na verdade eram os homens e mulheres dos mais brilhantes, honestos e competentes que existiam na Inglaterra daquela época.
Essas famílias se estabeleceram nos Estados Unidos, mas sempre com medo de que a Coroa Britânica a qualquer momento mandasse seus soldados para prendê-los. Essas famílias decidiram se armar, para se defenderem desse possível ataque.
Com o tempo, ao longo do século XVII, as famílias foram formando uma espécie de exercito que jamais se reunia em uma formação, pois que, se eles fundassem um exercito teria um comando central e eles tinham medo de que a Coroa Britânica corrompesse esse comando, comprasse os comandantes e com isso, o exército de nada valesse. Já que o exercito era formado pelas famílias, cada família tinha de armar todos os seus membros, pois na hora em que fosse necessário, o exército deveria está pronto para combater os britânicos.
No século XVIII, em 1776, foi fundada a nação Norte Americana. Sua constituição foi elaborada entre os anos de 1776 e 1792. A segunda emenda diz que, o direito de insurgência contra o poder pressupõe que americano bom é o americano que se arma, porque antes da elaboração dessa constituição foram discutidas duas opções: ou se formava um exercito constitucionalmente estabelecido para se defender dos ataques da Inglaterra, ou se optaria por dar continuidade à cultura que já havia nascido em 1620, de que Americano bom era aquele que se armasse até os dentes, Eles preferiram a opção “B”: Todo americano deveria ter armas em casa e saber atirar bem, pois se a Inglaterra os invadisse, esse exército já estava pronto.
Um hábito cultural que serviu para os séculos XVII e XVIII é o que responde hoje pela terrível incidência de adolescentes armados nos Estados Unidos, que, quando têm uma pequena raiva de alguma coisa, pegam as armas dos pais, ou a que eles ganham dos pais e saem por ai atirando em pessoas (serial killer). Os Estados Unidos é o único país, das 179 nações existentes, que os jovens adolescentes têm o hábito de, de vez em quando, pegar uma arma, levar para a escola e matar os colegas e os professores. Não só os jovens, os adultos também, homens se armam e saem matando gente nas ruas.
Por que? Porque todo mundo lá vive armado.
Os psicólogos perguntam: Por que vocês vivem armados? Eles dizem: não sei, é assim, nós já estamos acostumados a viver armado.
Só que eles não sabem que a causa histórica desse hábito cultural, que ainda vigora em pleno século XXI, surgiu no século XVII, por uma necessidade histórica circunstancial daquele século. Ou seja, os Estados Unidos hoje tem um problema ridículo, posto que anacrônico, porque tem uma tendência cultural que servia para o século XVII, mas para hoje não serve e que hoje está infernizando a vida do país.
A Terra só terá jeito na hora que o ser humano for elegante diante da vida. A Terra só será um mundo pacifico se os seres que nela habitarem forem pacíficos.
Judas e Pedro enchiam o saco de Jesus, questionando quando é que Ele, com seus superpoderes apresentados, iria empunhar a espada, para ser realmente o rei que eles esperavam; um rei que formasse um exército de Judeus, para lutar contra os romanos que ocupavam a Palestina.
Jesus perguntava: “Judas, Pedro, como é que eu, empunhando uma espada, posso semear amor?”.
Como é que um ser humano armado pode pretender ser um exemplo, ser um instrumento, ser um testemunho vivo do que a Terra mais precisa, que é o padrão de conduta elegante dos seres humanos?
Esses seres evoluídos preferem ser assassinatos, mortos, crucificados, a ter que portar alguma arma para ferir alguém. Um ser humano minimamente evoluído é tendente a não ferir ninguém, ele ama incondicionalmente. Dirão alguns: Ah, isso é balela, isso é teoria barata. Que seja, armemo-nos todos aqui na Terra, que a vida será mais caótica do que já é.
Ah!, mais se a gente não se armar, os bandidos que têm acesso fácil à arma dominarão.
Que seja, a questão é: Nós queremos atacar a conseqüência, ou perceber e estudar a causa para criar algo que modifique de fato a nossa vida? Ficar todo mundo armado é muito bom para as industrias de armas, ficar todo mundo armado é muito bom para o estado de caos espiritual, psicológico e energético do planeta.
Imaginemos quem nos olha lá de fora e ver todos nós armados aqui na Terra. Armado contra quem? Uns contra os outros. Isso é a apoteose da vitória das trevas (espíritos equivocados tendentes à maldade, que não querem a paz no planeta)*. Só compreende isso quem consegue colocar o amor como sendo uma postura importante no processo de desenvolvimento terráqueo. Se nós não percebermos isso, não poderemos obter a paz.
Nós não colocamos o amor como sendo verdadeiro fermento da vida; nós ainda não percebemos a importância da ousadia de mesmo que corramos o risco de sermos violentamente tratados por alguém armado, mas fazer a opção de não está armado. É obvio que na ótica humana terrena o bom mesmo é se armar, já que nós vivemos num mundo em que os poderes constituídos, que deveriam ser os únicos a estarem armados, para promoverem a paz, não funcionam; obvio que a tendência mais fácil do ser humano terreno, em estando mergulhado nesse estado de neurose, de desespero e de terror, claro que o primeiro impulso é defender o armamento, mas a que a serve essa atitude? Para que serve todo mundo armado?
Portando, sob a perspectiva espiritual, a Terra não precisa de heróis, mas precisa de homens e mulheres ousados, no sentido de que ter ousadia é ter um código de conduta pacífico, mesmo que viva num mundo violento, e isso tem um preço a ser pago.
Opção “B”: Se armar e viver como uns bichos, viver pronto para agir. Isto também tem um preço a ser pago, esse preço é muito pior que o primeiro, esse preço é exatamente o preço que a história da Terra testifica como sendo o nosso maior atestado de estupidez espiritual.
Não há uma página da história terráquea em que as armas não sejam a grande invenção humana; não há um só dia de paz nos últimos seis milênios da Terra, sempre existiram as guerras, os conflitos, os dramas, e as armas existem para isso. Ou nós temos a habilidade e a maturidade espiritual de percebermos o óbvio, mas isso tem um preço a ser pago, ou então, nós vamos mergulhar, de vez, na alimentação de um estado caótico psicológico, onde a nobreza de princípios, onde a percepção do que realmente importa à vida, deixa de existir e vamos todos nos animalizar de vez Então que nos armemos todos.
Não há conselhos a ser dado, pois que cada ser humano age de acordo com os elementos que tem. Ninguém na espiritualidade perde tempo em tentar convencer alguém aqui em baixo de coisa alguma. Os médiuns é que se equivocam, tentando insistir nesse ponto, mas é um equivoco tão primário. Deus que é Deus, não força a barra com ninguém, ele respeita o livre arbítrio de todos nós. Jesus também não obriga ninguém a se armar, ou ser desarmado, Ele veio aqui daqui dar o seu exemplo e caiu fora, aliás, nós o colocamos para fora.
A espiritualidade é elegante, ela não vai dizer que o certo é isso, e o errado é aquilo, ela dá a opinião dela e pronto, o livre arbítrio é nosso, porque há um preço a ser pago.
Portanto, não responderei a pergunta como médium, nem os amigos espirituais aqui vão dar a conclusão que poderia ser dada. Eu prefiro dizer por mim mesmo, e peço licença a eles. Eu não vou votar a favor disso, eu voto a favor do desarmamento total, nem que amanhã alguém me mate, porque o bandido está armado e eu não estou. Ainda bem, eu prefiro morrer, eu não quero matar o bandido para ter que sobreviver, isso me faz mal. Estou falando de mim, porque os princípios que eu tento nortear a minha vida, apesar de ser um homem feio, pequeno, cheio de mediocridade e defeitos, mas eu não consigo abrir mão de alguns princípios que caracterizam a minha alma e um deles é esse, eu não vou enlouquecer junto com todo mundo, eu prefiro morrer.
Esse debate é maravilhoso, mas uma das conseqüências é que tem gente que nunca teve uma arma e agora quer comprar uma, vejam a que ponto nós estamos chegando, o debate é fundamental, a idéia do plebiscito é fantástica, tem quer ser a sociedade que tem que decidir se está certo ou errado e isso é ótimo, mas tem gente que já está comprando uma arma, porque vai ser proibido daqui a pouco. O que adianta? Nós, como sociedade, aonde chegaremos com esse tipo de atitude?
A percepção do que é obvio na vida não falta só aos políticos, falta a todos nós. Nós não temos um código de conduta e cada ser humano precisa criar o seu próprio código de conduta diante da vida. Então, a espiritualidade é muito elegante, ela pode dar a opinião dela, como está dando aqui, mas o livre arbítrio é nosso.
Muitos centros espíritas estão saindo com cartazes. Eles dizem: “Pessoal, os espíritos dizem para desarmar”. Os espíritos não agem desse jeito, não é por ai, Jesus que é Jesus não fez isso, Deus, se quisesse, em um segundo transformava todo mundo em santo, porque ele não faz isso? Não faz porque respeita o livre arbítrio de cada um de nós, ele nos criou e nos deu a condição de sermos também deuses, já que na genética divina nós herdamos tudo que ele tem. Mas será que andar com um revólver é algo que nos aproxima ou nos distância da divindade? Bem, a resposta é de cada um.

Discurso de Jan Val Ellam na reunião do Grupo Atlan
Natal, 10-10-05.
Transcrição – Luiz Carlos – 084 9968 3222 – luizcmatao@uol.com.br

*Nota do revisor.

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